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Data AZ: Ciro Nogueira lidera Senado sem apoios nacionais em Teresina

Na sondagem para o Senado, o cenário nacional monstra a influência da polarização em Teresina.

A pergunta estimulada sem associação a apoios nacionais — ou seja, “cartela limpa” com os nomes dos pré-candidatos — Ciro Nogueira aparece na frente com 14,00% das menções, seguido por Júlio Cesar (12,00%) e Marcelo Castro (9,69%). João Vicente Claudino (8,75%), Joel Rodrigues (6,44%) e Tiago Junqueira (1,19%) completam o pelotão.

Sem padrinhos 

É um dado-chave para entender a força própria de Ciro: na ausência do “selo” de padrinhos, seu nome é o que mais se impõe no quadro geral. Ao mesmo tempo, o cenário registra ainda um contingente muito alto de “nenhum/branco/nulo” (24,69%) e “não sabe/não opina” (23,25%), sinalizando amplo espaço de crescimento pela frente.

Com apoios, lulistas assumem a dianteira — e isso reorganiza o caminho de Ciro

No cenário em que os nomes são apresentados com apoios nacionais, Marcelo Castro (apoiado por Lula) salta para 20,94% e Júlio Cesar (também lulista) vai a 18,50%. Ciro Nogueira, identificado como apoiado por Jair Bolsonaro, marca 11,06%, à frente de Joel Rodrigues (6,50%) e Tiago Junqueira (1,63%).

Essa fotografia mostra duas coisas: (1) a marca “Lula” é, hoje, um trunfo em Teresina;
(2) Ciro preserva um patamar competitivo mesmo quando carrega um rótulo nacional que enfrenta resistência entre os teresinenses.
A leitura estratégica: o senador tem base própria e precisa calibrar o discurso para ampliar seu raio além do eleitorado ideologicamente alinhado.

Quando o instituto Data AZ pergunta espontaneamente “qual é o primeiro nome” para o Senado, Ciro lidera o recall com 6,63% — à frente de Júlio (5,00%) e Marcelo (4,88%).

Chama a atenção o tamanho da desatenção do público: 75,00% “não sabem/não opinam” e 3,13% dizem “nenhum/branco/nulo”. Em ambientes de baixa atenção, quem é lembrado primeiro costuma ter vantagem na formação do “voto 1”, crucial numa eleição com duas cadeiras.

Para Ciro, isso significa começar a corrida com o benefício da familiaridade.

Espontânea de dois votos reforça a liderança

Na espontânea com até duas citações, Ciro volta a aparecer em primeiro, com 4,06%, seguido de Júlio (3,63%) e Marcelo (3,38%). O número de indecisos é gigantesco: 81,06% não sabem ou não opinam — um “oceano” de conversão possível.

Para o senador, o desenho sugere uma estratégia de “dupla ancoragem”: consolidar o “voto 1” onde já lidera e buscar ser o “voto 2” de eleitores que preferem um lulista no topo da lista, mas que precisam preencher a segunda vaga.

Disputa pelo “segundo voto” é a chave tática para o Senado

No recorte da pergunta “qual é o segundo nome?”, Júlio lidera (3,13%), e Ciro aparece com 1,50%. A leitura pró-Ciro aqui é objetiva: existe terreno fértil para crescer onde ele já é o primeiro escolhido ou lembrado; o trabalho de campanha deve “ensinar” o eleitor a compor a dupla, apresentando Ciro como o nome complementar — com experiência, contraponto ao lulismo e capacidade de travar agendas federais que interessam à capital. Em outras palavras: transformar o bom “voto 1” em combinação vencedora com o “voto 2”.

Rejeição alta é, em parte, efeito do conhecimento — e há espaço para redução

A rejeição a Ciro (24,75%) é a maior do quadro, mas vem acompanhada de uma base de conhecimento superior — ele é quem mais aparece espontaneamente.

Em disputas proporcionais ou de múltiplas vagas, líderes de recall tendem a exibir rejeição mais alta no início. Importa notar que 20,25% “não rejeitam nenhum”, 11,50% “rejeitam todos” e 8,13% “não sabem”, um bloco expressivo de persuadíveis. O caminho aqui passa por segmentar mensagens (economia do dia a dia, infraestrutura urbana, entregas para Teresina) e moderar o ruído ideológico.

O que fazer com o fator Bolsonaro?

O dado sensível da sondagem é a resistência majoritária a um candidato “apoiado por Bolsonaro”: 64,00% dizem que não votariam, contra 18,50% que votariam e 9,63% que talvez. Em vez de travar a campanha nesse flanco, a recomendação é clara: enfatizar resultados, obras e defesa de interesses do Piauí no Senado, reduzindo a centralidade do padrinho nacional na comunicação do dia a dia. Isso permite manter a coesão da base sem fechar portas para eleitor moderado.

Se a nacionalização do debate tem teto, o ambiente municipal oferece alavancas. A administração do prefeito Sílvio Mendes tem aprovação de 60,50% — capital político que, ainda que não se traduza de forma automática, pode ser ativado em agendas locais específicas. E 36,50% dos eleitores dizem que votariam em um candidato ao Senado apoiado pelo prefeito (contra 30,50% “não” e 23,50% “talvez”). Um diálogo bem calibrado com a prefeitura — em termos de pautas e realizações que impactam Teresina — amplia o raio de captação de Ciro no eleitorado independente.

A pesquisa revela um eleitorado ainda muito indeciso. Nessa conjuntura, campanhas que combinam presença de rua, comunicação de resultados e moderação costumam capturar fluxos relevantes nas semanas decisivas.
Ciro, tem a tarefa de converter liderança sem apoios em narrativa de competência e independência, o desafio de construir pontes com o eleitor moderado que hoje rejeita o “selo” bolsonarista, sem perder o vínculo com a própria base e precisa disputar o “voto 2” com linguagem propositiva, mostrando como duas cadeiras podem equilibrar representação de interesses distintos do estado.

Ativo eleitoral

Pelos dados, o ativo eleitoral da aprovação do prefeito Silvio Mendes na capital ainda não se reverteu em favor de Ciro Nogueira, seu principal aliado em 2024.

Ficha técnica essencial: 800 entrevistas em Teresina; campo realizado de 31 de julho a 3 de agosto de 2025. Perguntas para o Senado permitem duas respostas (duas vagas), por isso os cenários estimulados totalizam 1.600 menções.

Fonte: Portal AZ

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