Filha de desembargador do TJPI é apontada como chefe de venda de sentenças

A Polícia Federal investiga um esquema de compra e venda de sentenças no Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) que teria sido comandado pela advogada Lia Rachel de Sousa Pereira Santos, filha do desembargador José James Gomes Pereira. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta segunda-feira (27), um ex-assessor do magistrado, revelou em depoimento à PF como funcionava o suposto esquema, que envolvia manipulação de processos e recebimento de propinas. O depoimento foi uma das principais provas que embasaram os pedidos de busca e apreensão na operação que apura grilagem de terras e corrupção no Judiciário piauiense.
De acordo com a investigação, Lia Rachel exercia forte influência sobre o gabinete do pai, decidindo quais processos deveriam ser priorizados e até mesmo interferindo no resultado de decisões judiciais. O ex-assessor relatou que mantinha reuniões semanais com ela, nas quais recebia instruções detalhadas sobre a tramitação dos processos e sobre quem deveria ser beneficiado. O relatório da PF descreve que Lia era tratada como a “dona do gabinete”, responsável por orientar e controlar as atividades administrativas e jurídicas do setor.
As apurações indicam que Lia Rachel teria recebido dinheiro pela venda de decisões judiciais, incluindo uma que favorecia o empresário, João Antônio Franciosi, suspeito de pagar R$ 26 milhões para obter uma sentença favorável. Além de depósitos diretos, a advogada teria usado parte dos valores ilícitos na compra de um imóvel no Condomínio Aldebaran Ville, em Teresina, em nome de terceiros, para disfarçar a origem do dinheiro. O Coaf identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada da investigada.
A Polícia Federal destaca ainda que, além de atuar nos bastidores da manipulação das sentenças, Lia Rachel também controlava um cargo de assessor fantasma no gabinete do pai, por meio do qual emitia ordens e despachos em benefício próprio e de aliados. O inquérito segue em andamento e conta com outras evidências, como relatórios do Coaf e análises processuais feitas pelo TJPI. A investigação busca agora mapear toda a rede de advogados e empresários envolvidos no esquema, que teria movimentado milhões de reais em decisões judiciais compradas.
Fonte: Portalaz – Com informações Metrópoles
