Taxa de feminicídio no Piauí é maior que a média nacional, aponta estudo
O Brasil encerrou 2025 com 1.568 casos de feminicídio, o equivalente a uma mulher assassinada a cada cinco horas no país. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e consideram mulheres com mais de 18 anos. A taxa nacional ficou em 1,59 por 100 mil mulheres adultas, número considerado estável, mas ainda distante de um cenário de tolerância zero à violência de gênero.
No Piauí, o índice é mais alto que a média nacional. O estado registrou taxa de 2,31 feminicídios por 100 mil mulheres adultas, com 37 casos contabilizados em 2025, conforme levantamento do estudo Brasil em Mapas.
O dado coloca o Piauí entre os estados com níveis preocupantes de violência letal contra mulheres, acima de unidades da federação com índices menores, como Ceará (1,10) e São Paulo (1,26).
Norte e Centro-Oeste concentram maiores riscos
O levantamento mostra que as maiores taxas proporcionais de feminicídio estão concentradas nas regiões Norte e Centro-Oeste. O ranking é liderado pelo Acre, com 3,37 mortes por 100 mil mulheres, seguido por Rondônia (3,17) e Mato Grosso (2,88).
Já entre os menores índices aparecem Amazonas (1,02), Ceará (1,10) e São Paulo (1,26). Apesar da taxa menor, São Paulo lidera em número absoluto de vítimas, com 270 mulheres assassinadas no ano.
Em números totais, os maiores registros são de São Paulo (270), Minas Gerais (177) e Bahia (102). A região Sudeste, mais populosa, soma 586 mortes.

Dez anos da lei e avanço ainda lento
A tipificação do feminicídio no Brasil ocorreu em 2015, durante o governo de Dilma Rousseff. Naquele primeiro ano, foram registrados 449 casos. Dez anos depois, o número chegou a 1.568, representando aumento de 249%.
Ao longo da década, o feminicídio passou a representar parcela cada vez maior dos assassinatos de mulheres no país. A proporção saltou de 9,4% em 2015 para 41,2% em 2025, crescimento de 338,3%.
Mesmo com legislações consideradas avançadas — como a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio e a recente Lei Antifeminicídio, que elevou a pena para até 40 anos de prisão — especialistas apontam que os números continuam crescendo.
Para pesquisadores, o cenário revela que o enfrentamento ao feminicídio precisa ir além da punição, com políticas públicas focadas em prevenção, proteção às vítimas e combate à violência doméstica.
No Piauí, onde os índices permanecem acima da média nacional, o desafio envolve fortalecer redes de acolhimento, ampliar denúncias e intensificar ações de prevenção para reduzir a violência que continua tirando a vida de mulheres apenas por sua condição de gênero.
