Superlotação de cemitérios é um desafio crescente para cidades inteligentes
A superlotação de cemitérios tornou-se um dos principais desafios urbanos para os municípios do Piauí. No segundo dia do Congresso das Cidades, Fabiana Oliveira, CEO do Grupo Geraldo Oliveira, destacou a urgência de soluções inteligentes e humanizadas para esse cenário.
“O espaço físico está limitado, as leis e normas ambientais cada vez mais rígidas, e a burocracia é muito grande nesse segmento. Hoje os cemitérios estão superlotados e os planos de assistência familiar e cemitérios-parques surgem justamente para solucionar esse problema”, afirmou Fabiana, reforçando que a demanda não é apenas estrutural, mas também envolve cuidado com as famílias.
Segundo a executiva, o atendimento funerário evoluiu muito nos últimos 30 anos. “Há três décadas, esse atendimento era apenas funerário. Hoje ele é preventivo, acontece em vida, e transforma a dor em acolhimento, respeito e atendimento humanizado. Não é um serviço comum, é lidar com memórias e com a dor de cada família”, explicou.
Fabiana destacou ainda a importância da tecnologia aliada ao tradicional. “As despedidas exigem mais do que protocolos, elas exigem acolhimento. A tecnologia vem para agilizar processos, mas nunca substituirá o cuidado humano, porque apenas pessoas podem se colocar no lugar do outro e exercer empatia”.
O plano de assistência familiar Pax União é um exemplo de inovação nesse setor. “Ele recebe o cliente e toma conta de tudo, permitindo que a família se concentre no momento da despedida. Nosso maior público são pessoas com mais de 60 anos, que pensam na família, mas hoje estamos expandindo o público mais jovem, de 25 a 30 anos, por meio da rede de parceiros e serviços preventivos”, detalhou Fabiana.
A CEO ressaltou a necessidade de conscientização sobre novas formas de sepultamento. “Existe a cultura do jazigo tradicional, mas soluções como cemitérios verticais e parcerias privadas são alternativas que precisam ser estudadas e adaptadas à legislação local. Nosso papel é orientar prefeitos, gestores e população para que o planejamento seja feito cinco anos antes, garantindo cidades preparadas para o futuro”, disse.
Ela também lembrou que o setor funerário vai além do sepultamento. “É falar sobre vida, cuidado, prevenção e memórias. É transformar a dor em acolhimento e oferecer soluções inteligentes que respeitem a tradição, mas inovem para atender as necessidades atuais da população”, finalizou.
