Trabalho infantil cresce no Brasil em 2024; segundo IBGE
O Brasil voltou a registrar aumento no trabalho infantil em 2024. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE, a taxa de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil passou de 4,2% em 2023 para 4,3% no ano passado. Pode parecer um crescimento pequeno, mas o dado interrompe uma trajetória recente de queda.
O país tem cerca de 37,9 milhões de pessoas nessa faixa etária. Deste total, 1,95 milhão exerce alguma atividade econômica ou de autoconsumo. Entre elas, 1,65 milhão se enquadra diretamente no conceito de trabalho infantil — atividades que comprometem a saúde, o desenvolvimento ou a frequência escolar.
Os números ainda mostram desigualdades importantes. Crianças em situação de trabalho infantil vivem em lares com renda média de R$ 1.241 por pessoa, enquanto em famílias sem trabalho infantil a renda chega a R$ 1.435.
Faixa etária mais afetada
O aumento foi mais evidente entre adolescentes de 16 e 17 anos. Em 2023, 14,7% deles estavam em situação de trabalho infantil. Em 2024, o percentual subiu para 15,3%.
O IBGE monitora o tema desde 2016. Naquele ano, 5,2% das crianças e adolescentes trabalhavam. O índice se manteve em 4,9% até 2018 e caiu para 4,5% em 2019.
Após a pandemia, em 2022, voltou a subir para 4,9%. Só em 2023 houve nova queda, para 4,2%, antes da reversão registrada em 2024.
