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Wellington expõe desgaste e carta acende alerta no PT

O senador e ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), divulgou uma carta pública que movimentou os bastidores da política piauiense. O texto publicado em um grupo de amigos do ministro é que foi revelada pelo jornalista Tony Trindade em seu X (antigo Twitter), é marcado por forte tom pessoal e religioso, é visto por lideranças partidárias como um indicativo de desgaste na relação com o governador Rafael Fonteles (PT) e pode representar o primeiro gesto concreto de um reposicionamento eleitoral.

Na carta, Wellington afirma que, ao longo de 46 anos de militância no PT, enfrentou “estratégias para me desgastar, calúnias, difamações, mentiras e até ameaças”. Em outro trecho, admite: “Esses dias não têm sido fáceis para mim”.

A declaração foi lida no meio político como referência direta às tensões internas no PT do Piauí.

Embora não cite nomes, o manifesto tem endereço certo, segundo interlocutores da legenda. O ex-governador reforça sua trajetória, lembra que tem mandato de senador até 2030 e destaca sua posição como ministro no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que ajudou a retirar milhões da pobreza e da fome.

A leitura predominante é que Wellington reage a um cenário de perda de protagonismo dentro do partido no estado, onde o grupo mais alinhado a Rafael Fonteles tem consolidado o comando político e estratégico, além dele, Wellington, não ter sido ouvido na articulação de campanha, em especial na composição da vice-governadoria.

Ensaio de candidatura?

A carta também é vista como peça com viés eleitoral. Ao reforçar legado, capital político e conexão com o povo do Piauí, Wellington constrói narrativa de resistência e liderança.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que o senador pode estar testando terreno para um pleito futuro em que ele próprio seja o candidato, mais esperto ao Governo do Estado, cargo em que Rafael Fonteles é hoje o candidato a reeleição.

Clima de tensão

Apesar de não haver rompimento formal, o gesto escancara fissuras no PT piauiense, confirmada inclusive pelo aliado, deputado João Madson. A relação entre Wellington e o núcleo político de Rafael vive momento sensível e ao que parece chegou no ponto de não retorno.

Leia carta na íntegra:

Há 46 anos, desde que ajudamos a construir o único partido da minha vida, o Partido dos Trabalhadores, enfrento estratégias para me desgastar, calúnias, difamações, mentiras e até ameaças contra mim e minha família. Tudo isso já vivemos. E o Deus em quem eu creio me livrou de cada uma dessas situações. Foi Ele quem me permitiu chegar até aqui, aos 63 anos, celebrando o trabalho ao lado de tantas pessoas comprometidas com o respeito e a bondade.

Não há riqueza maior do que a família e amigos. E, graças a Deus, carrego a confiança de milhares, no Piauí e agora no Brasil. Sempre do mesmo lado: ao lado do povo, ao lado do presidente Lula.

Tenho pena daqueles que se colocam a serviço de fazer o mal. Há quem repita tanto uma mentira que acaba acreditando nela. Mas eu tenho fé. Tenho um Deus que já me protegeu tantas vezes. Em tudo vejo propósito dEle. E neste momento não seria diferente. E assim, aguardo com serenidade.

Pela generosidade e confiança do povo do Piauí, e pelo trabalho do Time do Povo, tenho mandato de senador até 2030. Pela confiança do presidente Lula, sou ministro do Desenvolvimento Social e, sob sua liderança, ajudamos a tirar o Brasil do Mapa da Fome retirando mais de 20 milhões de pessoas da miséria e da pobreza. Sem falar que levamos 17,4 milhões à classe média.

Esses dias não tem sido fáceis para mim. Mas posso dizer com sinceridade: estou feliz e animado nesta missão. Sinto orgulho em contribuir com muito trabalho pela continuidade do Governo do Brasil, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva.

Aos amigos e ao meu querido povo do Piauí, peço orações. Orem por mim, por minha família e também por aqueles que agem dessa forma e por suas famílias. Que Deus toque seus corações e os abençoe.

Quem realmente me conhece sabe que sigo defendendo a paz, a união, o respeito, o diálogo e a construção de soluções pelo entendimento.

Nestes dias estive acompanhando os exames da minha filha Daniely, e ela está bem. Quanto a isso, agradeço as mensagens e orações. Também estamos atentos às enchentes que atingiram nossos irmãos de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo. Já perdemos muitas vidas. Amanhã estarei nas regiões afetadas, acompanhando o presidente Lula.

Da minha parte, só gratidão pela confiança. A verdade pode ser atacada, mas prevalece sempre!

Peço paz e serenidade.

Wellington Dias

Fonte: Portal AZ

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