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Grupo faz ato pela restauração da Casa Barão de Gurguéia

Uma das primeiras edificações de Teresina, construída quando a capital ainda começava a tomar forma, está em situação de conservação considerada preocupante e mobiliza pesquisadores, professores, artistas e movimentos de defesa do patrimônio. A casa de João do Rego Monteiro, conhecido como Barão de Gurguéia, foi construída por volta de 1870 e hoje é alvo de um movimento que cobra providências para sua recuperação.

O imóvel tem uma trajetória diretamente ligada à história da capital. Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), o Barão de Gurguéia teve participação na construção de algumas das primeiras edificações de Teresina e atuou ao lado de José Antônio Saraiva, fundador da cidade.

“Essa casa aqui em especial, ela data de mais ou menos 1870, 1871”, explica Carlos Kaizer, coordenador de Políticas Urbanas e Ambientais do CAU.

No último sábado (5), representantes de diferentes segmentos participaram de um ato em defesa da preservação do imóvel. Mais do que chamar atenção para as condições físicas da construção, o movimento busca reforçar que a casa representa uma parte da memória e da identidade de Teresina.

“O movimento reuniu representantes de diferentes segmentos com objetivo de deixar claro que esse não é apenas um imóvel antigo, é parte da história de Teresina e como tal merece ser preservado, restaurado e colocado a serviço da cidade.”

De residência histórica a seminário e Casa da Cultura

A importância do imóvel também está relacionada às diferentes funções que ele desempenhou ao longo do tempo.

Por volta de 1913, 16 anos após a morte do Barão de Gurguéia, a casa foi vendida à Arquidiocese de Teresina. O prédio passou a funcionar como seminário e residência episcopal e, posteriormente, também recebeu órgãos públicos, entre eles a Casa da Cultura.

Para o professor Francisco de Assis Soares, o espaço teve papel importante na formação de diferentes gerações.

“Muitas autoridades e alguns profissionais renomados estudaram aqui, não é? E depois, esse prédio deixou de cumprir esta função, de ser um auxílio na educação do estado do Piauí.”

Hoje, o imóvel já não exerce as funções que teve no passado e enfrenta problemas de conservação.

A situação estrutural da casa também foi analisada por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI). A professora de Arqueologia Elaine Ignácio coordenou um levantamento para avaliar as condições de conservação do imóvel e apontar possibilidades de intervenção.

Segundo ela, a própria Arquidiocese colaborou para a realização do estudo.

“Realmente eles estão mal conservados, né? E o principal objetivo de vermos isso era exatamente poder ajudar a Arquidiocese e todos aqueles que estão tentando salvaguardar a casa, ver como nós podemos colaborar, a sociedade como um todo colaborar para poder ter soluções.”

A avaliação busca justamente fornecer informações que possam contribuir para uma futura recuperação do prédio.

Patrimônio ameaçado pelo abandono

A situação da casa também é vista como parte de um problema mais amplo enfrentado pelo patrimônio histórico de Teresina. Para o poeta Paulo Tabatinga, o abandono de imóveis históricos ameaça referências importantes da identidade da capital.

“Essa casa representa muito porque faz parte da nossa cultura, né? […] Teresina tá passando por um processo de gentrificação, né? Todas as coisas, todos os prédios de Teresina têm muita importância, eles estão sendo abandonados.”

A mobilização pela casa é reforçada pelo movimento de educação patrimonial Tempo e Cultura, que organizou o ato realizado no fim de semana.

Para Marina Loiola, uma das organizadoras, preservar o imóvel significa garantir que a população atual e as próximas gerações tenham acesso a parte da própria história.

“É o patrimônio da nossa cidade, ele diz respeito à nossa identidade. Então, a importância é essa: é que a gente valorize e lute em manter esse patrimônio para as gerações que virão e para nós também.”

Ela defende que a sociedade também assuma um papel ativo na cobrança pela preservação.

“Nós temos que vestir a camisa e dizer: ‘Isso é meu e eu quero isso restaurado, quero isso funcionando’.”

Imóvel pode ganhar nova função

Além da restauração, a proposta defendida pelos especialistas é que o prédio volte a ter uma função pública e cultural. Para Carlos Kaizer, a localização e a trajetória da residência fazem dela um espaço com potencial para se tornar uma referência da história de Teresina.

“Ponto nodal da história de nossa cidade, essa residência. E ela poderia servir como museu, poderia servir como um referencial da nossa história.”

A defesa pela recuperação da casa, portanto, não se limita à preservação de uma construção antiga. O objetivo dos grupos envolvidos é evitar que um dos marcos dos primeiros anos de Teresina se perca e transformar o imóvel novamente em um espaço de memória, cultura e conhecimento.

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