Debate na Globo é hoje: quais as regras e o que esperar

A três dias do primeiro turno das eleições, o tradicional debate presidencial da TV Globo vai ocorrer às 21h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (01/10), depois do Jornal Nacional — pela primeira vez, ocupando o horário nobre da novela.
Mas, antes mesmo de ocorrer, o debate já é marcado pela ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que decidiu não participar.
Não é a primeira vez: Lula não participou de nenhum debate com outros candidatos no primeiro turno dessas eleições.
Estão previstas as participações dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).
Na terça (29/09), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a inclusão de Romeu Zema (Novo), que não havia sido convidado inicialmente, no debate.
A decisão do presidente do TSE atendeu a um pedido do Novo, que acionou a Justiça Eleitoral para que seja considerada a contagem atual de seus parlamentares — que atinge o número de cinco —, e não o número de eleitos em 2022.
Isso porque a legislação exige a presença em debates de todos os candidatos de partidos que tenham no mínimo cinco parlamentares no Congresso. Para aqueles que não cumprem esse mínimo, o convite é facultativo por parte da emissora de rádio ou televisão.
A TV Globo também havia informado às campanhas que poderá convidar outro candidato caso um dos nomes convocados inicialmente não participe — como é o caso de Lula.
A campanha de Renan Santos (Missão) informou ter ingressado com uma liminar no TSE para que o candidato participe do debate da Globo.
“A ação aponta que as próprias regras apresentadas pela Globo ao TSE preveem a possibilidade de convite ao candidato mais bem posicionado nas pesquisas caso algum dos participantes obrigatórios desista — hipótese que, segundo o partido, se concretizou com o anúncio de que o presidente Lula não participará do debate. Na pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro, Renan Santos aparece em terceiro lugar, atrás de Lula e Flávio Bolsonaro”, diz nota da campanha de Renan Santos.
O encontro na TV Globo será mediado pelo jornalista César Tralli, apresentador do Jornal Nacional.
Terá quatro blocos, sendo dois com temas determinados e dois com temas livres, além das considerações finais.
A dinâmica entre os candidatos acontecerá ao redor de um mapa do Brasil posicionado no centro do cenário. Com o apoio do mapa, o debate abordará as regiões do Brasil e temas específicos, como a preservação da Amazônia; segurança nas fronteiras e combate ao crime organizado; e desafios para melhorar a infraestrutura para as exportações brasileiras.
Além disso, os candidatos poderão escolher entre temas predefinidos no telão para fazer as suas perguntas.
O candidato que faz a pergunta terá dois minutos no total, divididos entre a formulação da questão e a réplica. O candidato que responde terá três minutos, divididos entre a resposta e a tréplica.
Após o término do debate, cada candidato será convidado à sala de imprensa, onde terá a possibilidade de conceder uma entrevista coletiva de 10 minutos.
O debate será transmitido ao vivo pela TV Globo, e também poderá ser acompanhado simultaneamente pela GloboNews, pelo g1 no mundo inteiro e pelo Globoplay.
O debate será o último confronto televisivo entre os candidatos à Presidência antes da votação do domingo, 4 de outubro.
O que esperar do debate
A ausência de Lula deve ser explorada pelos outros candidatos e ressaltada pelas próprias regras do debate.
Segundo reportagem do jornal O Globo, o próprio presidente teria manifestado à campanha que preferia não ir ao encontro.
A razão seria o formato atual do confronto, que poderia expô-lo a uma sequência de ataques dos outros candidatos, com pouco tempo para respondê-los.
Com a ausência de Lula, o debate seguirá normalmente com os candidatos presentes, mas com a cadeira reservada ao presidente vazia, identificada com uma placa com seu nome.
Quando chegar o momento em que Lula deveria fazer uma pergunta, o mediador lembrará aos telespectadores que o candidato não está presente e o espaço será destacado na transmissão.
A regra vale para qualquer candidato que eventualmente falte, e não apenas para Lula.
A ausência de Lula também poderá ser mencionada diretamente pelos candidatos presentes.
No segundo bloco, durante a primeira rodada de temas livres, cada participante poderá usar até 30 segundos para formular a pergunta que faria ao candidato ausente.
Depois disso, deverá escolher um dos candidatos presentes para fazer a pergunta seguinte, e a dinâmica normal do debate será retomada.
Assim, se Lula não comparecer, os candidatos que estiverem no estúdio poderão dirigir perguntas a ele mesmo sem receber uma resposta.
Para os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a ausência de Lula tende a reduzir o peso do debate, já que o presidente é um dos principais candidatos e sua participação poderia reorganizar a dinâmica do confronto.
Sem ele, a expectativa é de que os demais participantes concentrem os ataques em Flávio Bolsonaro e que o debate tenha um tom mais marcado por acusações do que por propostas.
Uma eventual participação de Renan Santos também poderia elevar o tom da discussão, ampliando o número de candidatos dispostos a confrontar Flávio.
“O Renan tem sido o crítico mais ácido do Flávio no chamado campo da direita, inclusive com um nível de agressividade muito grande”, afirma Marco Antonio Teixeira, professor da FGV São Paulo.
