Mais de 2,7 milhões de piauienses vão às urnas neste domingo para eleger representantes

Este domingo (04) está marcado no calendário como um dia para exercer a cidadania na maior festa da democracia brasileira. É o primeiro turno das eleições gerais de 2026 e no Piauí, mais de 2,7 milhões de eleitores vão às urnas para escolher seus representantes políticos pelos próximos quatro anos. Pelo menos 2,23 milhões destes eleitores são obrigados a votar. Os outros 460.600 têm voto facultativo.
O número de eleitores piauienses aptos a votar em 2026 é o maior já registrado desde as eleições gerais de 2010. Em 16 anos, o total de votantes no Estado aumentou 19,63%. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi contabilizado o eleitorado de todos os 224 municípios piauienses, tanto os que possuem biometria quanto os que não.
O eleitorado piauiense corresponde a apenas 1,71% do total de votantes do Brasil, que este ano chegou a 158.745.463 pessoas, somando-se todas as Unidades da Federação e o Distrito Federal. Apesar da parcela ser considerada mínima frente ao número de eleitores brasileiros, o Piauí ainda tem um grande peso no resultado da eleição presidencial, por exemplo.
A situação mais emblemática, segundo o próprio TSE, é a das eleições gerais de 2022, cujos candidatos à presidência eram Luiz Inácio Lula da Silva, pelo PT, e Jair Messias Bolsonaro, pelo PL. Conforme as estatísticas da Justiça Eleitoral, a eleição daquele ano foi acirrada em termos nacionais. Lula terminou o segundo turno com 60.345.999 votos, contra 58.026.354 de Bolsonaro. A diferença foi de apenas 2.139.654 votos.
O Piauí deu uma vantagem expressiva para Lula de aproximadamente 1 milhão de votos e contribuiu para margem nacional, embora não tenha definido o pleito. Os números do TSE revelam que o Estado, com mais de 2,7 milhões de eleitores, pode contribuir para desenhar o cenário final, mesmo não sendo decisivo.
Para o cientista político Ricardo Arraes, o Piauí pode ser decisivo na disputa presidencial, apesar do peso numérico limitado. O estado é o sexto maior eleitorado do Nordeste. À primeira vista, o número pode parecer pequeno diante dos 157 milhões de eleitores do país. Segundo ele, porém, o estado sustenta percentuais muito altos de votos aos candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT).
“O estado do Piauí tem dado sucessivas vitórias ao Partido dos Trabalhadores e especialmente ao presidente Lula (…), então, se não é decisivo, os votos do Piauí servem, juntamente com os votos do Nordeste, para dar essa vantagem, mesmo que pequena, que Lula tem a nível nacional”, declarou.
Arraes explica que a diferença no Piauí vem da proporção de votos destinada aos governos petistas. Em 2022, o estado registrou 76,84% dos votos válidos, o que representou uma vantagem de mais de 1,5 milhão de votos na decisão final. De acordo com o cientista político, esse resultado reflete a própria trajetória do presidente e as políticas públicas voltadas aos mais pobres, que fazem dele um representante da “população menos aquinhoada economicamente”.
Para o cientista político, a margem estreita que costuma marcar as disputas presidenciais amplia a relevância do eleitorado piauiense. “Numa disputa apertada, qualquer voto é importante e os votos do Piauí, mesmo sendo um diapasão pequeno de apenas pouco mais de 1,7%, mas o Piauí é um estado importante para a Lula para que consiga manter essa dianteira na frente do candidato da oposição”, afirmou.
