Avanço do crime organizado na política ameaça democracia no Piauí

A infiltração do crime organizado na política e no setor financeiro piauiense, que era apenas um alerta nas vésperas das últimas eleições municipais, tornou-se um risco efetivo, com vereadoras eleitas em 2024 investigadas e julgadas por participação em facções criminosas na compra de votos, como a vereadora Tatiana Medeiros (PSB), em Teresina, condenada a 19 anos, 10 meses e sete dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. Ela está presa desde abril de 2025.
O caso mais recente, ainda em investigação, ocorreu em janeiro deste ano no município de Piracuruca, ao norte do estado, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento de servidores públicos na terceira fase da Operação Escudo Eleitoral, da qual Tatiana Medeiros também foi alvo. Nesta última etapa, as investigadas foram a vereadora Adriana Enfermeira e uma servidora da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi); a parlamentar foi apenas afastada do cargo enquanto as investigações seguem em curso.
Nacionalmente, há uma grande preocupação por parte dos órgãos de segurança, do governo federal e do Judiciário com o avanço do crime organizado na política e no setor financeiro. Em 2025, a Operação Carbono Oculto 86, desdobramento de outra operação em nível nacional, revelou um braço financeiro do PCC no Piauí: o grupo, com origem em São Paulo, teria expandido sua atuação para o setor de combustíveis, utilizando empresas de fachada, fundos de investimento e laranjas para movimentar uma cifra próxima de R$ 2 bilhões.
TRE-PI cria comitê de segurança para combater candidaturas de faccionados
Com esses casos, o crime organizado, que antes se limitava a controlar territórios e economias ilegais no Piauí, tem avançado sobre o próprio Estado, mirando o controle institucional de decisões e também a destinação dos recursos públicos. Por essa razão, o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) criou um Comitê de Segurança das Eleições de 2026, que reúne a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e as Polícias Civil e Militar do estado para, em ação conjunta, criar medidas que possam garantir a segurança das eleições no estado, com prioridade no combate a candidaturas ligadas a facções criminosas e à compra de votos.
Em entrevista à imprensa, o juiz Paulo Roberto de Araújo Barros, presidente do Comitê, confirmou que as facções criminosas serão a maior preocupação do TRE-PI nestas eleições. “O comitê de segurança teve o seu escopo aumentado exatamente para observarmos esse fato”, disse.
Compõem ainda o comitê representantes do Ministério Público Eleitoral, da Procuradoria de Justiça do Estado do Piauí, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no Piauí, da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí, da Corregedoria Regional Eleitoral do Piauí e agentes da Polícia Judicial do TRE.
Fonte: Portal O Dia
