Entenda operação que prendeu cinco por plano contra dois delegados no Piauí

A Polícia Civil divulgou que cinco pessoas foram presas na operação realizada nesta segunda-feira (28) contra uma organização criminosa investigada por planejar a execução dos delegados Charles Pessoa e Ayslan Magalhães. A ação conta com a participação da Interpol, pois um dos suspeitos estaria em outro país.
Foram cumpridos mandados em Piripiri e Parnaíba. Até o momento, um suspeito segue foragido e estaria na Bolívia ou no Uruguai, por isso a ação conta com a colaboração da Interpol. A investigação apontou que havia três núcleos liderados por pessoas que já estão presas. Um dos núcleos seria responsável pelo monitoramento dos delegados.
Segundo o delegado Laécio Evangelista, do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), relatório de inteligência da SSP identificou as ameaças e a organização por parte do grupo criminoso.
“Após uma sequência de ameaças, deflagramos mais uma operação policial com cumprimento de cinco mandados de prisão. O principal investigado está foragido, que é o líder do Comando Vermelho, e temos informações de que ele estaria na Bolívia ou no Uruguai. Por isso, pedimos apoio da Interpol. Também apuramos outros núcleos aqui no estado, com outros alvos que estariam sendo visados, e esses indivíduos foram presos. Eles estariam monitorando a rotina dos delegados, e conseguimos identificar os envolvidos”, disse o delegado Laércio Evangelista.
Como o grupo planejava o crime
Charles Pessoa com atuação no Draco e Ayslan Magalhães com atuação em Parnaíba, teriam virado alvo dos investigados após operações com grande apreensões que foram realizadas.
A facção criminosa teria então disponibilizado cerca de R$ 1 milhão em logística para o monitoramento dos delegados.
“Por conta de algumas operações policiais deflagradas, começaram a surgir essas ameaças. A informação que chegou é que foram com imóveis e veículos, todo um aparato, logística, e que algo em torno de R$ 1 milhão estaria sendo disponibilizado para esse grupo”, disse.
Segundo o delegado, o grupo que seria responsável pela execução teria sido contratado em Fortaleza, no Ceará.
Atuação após ameaças
O delegado reforçou que não irão parar com as operações.
“O Estado vai sempre se sobrepor ao crime. As forças de segurança sempre vão estar unidas. Não vamos tolerar jamais nenhum tipo de ameaça a servidor público ou ao nosso Estado. Após as ameaças, tomamos todas as precauções e vamos dar resposta com prisões.”
Delegado Ayslan se manifesta
O delegado Ayslan Magalhães, um dos ameçados, afirmou que precisou mudar a rotina desde que começou a atuar no combate ao crime organizado.
“A gente recebeu com certo desconforto essas notícias relacionadas aí ao possível atentado contra a minha vida e contra o delegado Charles. Antes mesmo de entrar pra polícia, a gente já espera esse tipo de comportamento dos criminosos. Atos covardes mesmo, típicos do crime organizado. E é óbvio que a gente tem que mudar nossa rotina. A partir do momento que a gente entra pra polícia, a gente tem que tomar mais cautela até nos lugares que a gente anda, onde a gente senta. Eu gostava de correr muito, aí tive que deixar de correr por conta desse novo estilo de vida que a polícia nos proporciona. Tem muita coisa boa com a polícia, mas também tem esse lado negativo de ameaças, principalmente quando a gente atua de forma veemente contra o crime organizado”, destacou.
O delegado disse que não ficou surpreso com as ameaças.
“Desde fevereiro de 2021, quando eu comecei a atuar na cidade de Esperantina, consegui desarticular várias células criminosas. Lá não é essa a realidade, não tem crime organizado, mas já bati bastante na criminalidade e, desde lá, que a gente sofre essas ameaças. Desde 2023, quando eu comecei a atuar aqui em Parnaíba também, a gente causou um grande prejuízo para as facções, em torno aí de 500 milhões de reais em drogas incineradas. A gente também tem trabalhado exaustivamente com medidas cautelares. Então, a gente tem descapitalizado essas facções, tem tirado mesmo dinheiro, bloqueado contas, sequestrando veículos, casas. Então, realmente, a polícia tem incomodado bastante as facções nos últimos anos”, destacou.
Investigados
Entre os alvos está Adriano do Amaral, conhecido como “Pavão”, apontado pela investigação como integrante de um núcleo familiar que teria participação na estrutura de liderança da organização criminosa.
João Vítor, conhecido como “Meia-Noite”, é apontado como responsável pela coordenação operacional do plano. Segundo as apurações, caberia a ele selecionar executores de Fortaleza (CE) e providenciar a estrutura necessária para a execução do atentado.
Claudinaio do Nascimento, conhecido como “Barba”, é investigado por supostamente transmitir e acompanhar determinações dentro do grupo. Já Antônio de Deus, o “Fantasmão”, teria atuado no suporte logístico e operacional e na articulação entre integrantes da organização no Piauí.
Também é investigado André Luiz, conhecido como “André da Ilha”, apontado como integrante da estrutura criminosa.
As apurações indicam ainda que integrantes do grupo continuavam exercendo funções na organização mesmo após serem presos. As determinações, segundo a investigação, seriam repassadas por intermediários que permaneciam em liberdade.
Delegado teria sido monitorado
As investigações apontam que os criminosos passaram a acompanhar a rotina do delegado Charles Pessoa, inclusive os horários em que ele frequentava uma academia. Os integrantes também monitoravam deslocamentos e compromissos públicos.
De acordo com a investigação, a organização pretendia aproveitar a maior exposição do delegado durante a campanha eleitoral para executar o atentado. Um dos planos identificados seria realizar o ataque durante um ato político ocorrido na quinta-feira (24), no bairro Mocambinho, na zona Norte de Teresina.
O serviço de inteligência teria identificado previamente a intenção do grupo. Com a informação, as forças de segurança realizaram uma operação no local no dia do evento, com o objetivo de impedir o ataque.
A ação policial teria frustrado o plano e as informações obtidas durante o trabalho de inteligência contribuíram para o avanço das investigações.
