BrasilDestaqueNOTÍCIAS

Por que votos do Nordeste aparecem depois de outros estados na apuração? Entenda

A cada quatro anos, a totalização dos votos das eleições gerais deixa eleitoras e eleitores de todo o país ansiosos para acompanhar a atualização dos resultados. Embora a votação seja encerrada às 17h, no horário de Brasília, a divulgação dos números não ocorre de maneira uniforme em todos os estados. Mas por que, em algumas eleições, estados das regiões Sul e Sudeste costumam aparecer com percentuais mais avançados, enquanto unidades do Norte e do Nordeste podem ter os votos atualizados posteriormente?

A diferença está principalmente na logística de transmissão dos dados. Em localidades mais remotas e distantes dos grandes centros, limitações na infraestrutura de telecomunicações podem tornar mais demorado o envio das informações. A capacidade de processamento dos computadores disponíveis, além da estabilidade e da velocidade da rede de dados utilizada para a transmissão, também influencia nesse processo.

É importante destacar que apuração e totalização são etapas diferentes. Assim que a votação é encerrada, a própria urna eletrônica apura os votos daquela seção e gera o Boletim de Urna (BU), documento que registra o resultado. Depois, os dados desse boletim são encaminhados à Justiça Eleitoral para serem recebidos, processados e somados aos resultados das demais seções. É essa segunda etapa, chamada de totalização, que o eleitor acompanha nos sistemas de divulgação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo Julio Valente, secretário de Tecnologia da Informação da corte eleitoral, os resultados de localidades com mais dificuldade logística na transmissão chegam por último e precisam aguardar na fila de processamento.

“Esses dados, ao chegarem ao CPD da Justiça Eleitoral, entram em uma estrutura semelhante a uma ‘fila de banco’”, explica Valente. Assim, os dados dos estados que lidam com contingências de infraestrutura informacional acabam chegando ao TSE depois dos das regiões Sul e Sudeste, que conseguiram fazer a transmissão mais facilmente. Por isso, ficam aguardando numa “fila” para serem, enfim, processados e totalizados.

Além da infraestrutura de comunicação, outro fator que pode influenciar no ritmo da transmissão é a distância entre a seção eleitoral e o ponto de envio dos dados. Em determinadas localidades de difícil acesso, pode ser necessário transportar a mídia de resultado até um ponto de transmissão da Justiça Eleitoral. Em áreas ainda mais remotas, o TSE também prevê o uso de comunicação via satélite.

Há ainda um terceiro fator: o grande volume de informações que chega aos sistemas da Justiça Eleitoral após o encerramento da votação. Milhares de Boletins de Urna são enviados para processamento em um curto intervalo de tempo, formando uma espécie de fila de dados.

“Como tudo chega no TSE ao mesmo tempo e na mesma estrutura de dados, às vezes, 30 segundinhos que se leve para conectar depois da votação já são suficientes para que tenham entrado mais de 50 mil boletins de urna na frente”, complementou.

Dessa forma, o fato de um estado aparecer inicialmente com um percentual menor de votos totalizados não significa que os votos daquele local estejam sendo contados de maneira diferente ou que exista algum problema com a votação. A atualização ocorre conforme os Boletins de Urna são transmitidos e processados pela Justiça Eleitoral. O próprio TSE informa que os resultados são divulgados em tempo real à medida que os boletins são recebidos e processados.

No Piauí e em outros estados do Nordeste, no entanto, o resultado final do segundo turno, que ocorrerá no próximo dia 25 de outubro, tende a sair mais rapidamente na comparação com o primeiro turno. Isso ocorre porque, nesta etapa da eleição, o eleitorado votará para um número menor de cargos. No primeiro turno, foram seis escolhas: presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual. Já no segundo turno, a votação fica restrita aos cargos que ainda estão em disputa.

No Piauí, por exemplo, os eleitores votarão apenas para presidente da República, já que a disputa pelo Governo do Estado foi definida no primeiro turno. Em outros sete estados nordestinos, também haverá somente a disputa presidencial, enquanto o Rio Grande do Norte terá, além da escolha para presidente, uma votação para governador, já que Allyson Bezerra e Cadu de Lula avançaram para o segundo turno.

Com menos cargos em disputa, o tempo necessário para cada eleitor concluir a votação também tende a ser menor. Isso pode contribuir para que as urnas sejam encerradas e os Boletins de Urna sejam transmitidos mais rapidamente, reduzindo a possibilidade de grandes filas de eleitores após as 17h e, consequentemente, antecipando o início da transmissão dos dados em algumas seções.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este conteúdo jornalistico pertence à FortNotícia.