Onda bolsonarista varre congresso nacional e estados

O avanço de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT), foi a face mais explícita de uma nova onda de direita que varreu o Brasil neste domingo (04/10).
Terminada a contagem, os votos também revelaram que forças de direita, especialmente do bolsonarismo, avançaram no Congresso Nacional e em governos e assembleias estaduais, alterando o mapa político do país.
Avanço em governos estaduais
O PL de Flávio Bolsonaro conseguiu conquistar cinco governo estaduais ainda neste domingo – Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Roraima – e ainda tem chance de garantir um sexto, o Rio de Janeiro, a depender de como a Justiça Eleitoral vai lidar com os votos de uma candidatura impugnada que ficou em terceiro lugar.
Já candidatos do partido Republicanos, alinhados com o bolsonarismo, conquistaram os governos de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Em 2022, o PL e o Republicanos só haviam elegido um governador cada já na primeira rodada.
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que mantém relações estreitas com a família Bolsonaro, obteve 62,85% dos votos válidos, contra 36,22% do desafiante petista Fernando Haddad. Tarcísio obteve 14,5 milhões dos votos totais, maior marca já recebida por um candidato ao governo do estado.
No Paraná, Sérgio Moro (PL), ex-juiz da Lava Jato, foi eleito governador com 50,1% dos votos válidos. Já o percentual da vitória governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, também do PL, foi de 68,98%.
O Republicanos ainda vai participar de duas disputas de segundo turno, no Acre e no Espírito Santos. No Rio de Janeiro, se não houver reviravolta, o PL também vai estar na segunda rodada.
Crescimento robusto no Senado
A nova onda bolsonarista também se refletiu com força no Senado, com o PL elegendo 19 senadores neste domingo. Com os nomes que já ocupam vagas desde 2022, o partido vai somar 28 senadores.
A marca de 19 senadores eleitos num pleito por um mesmo partido é um recorde para história do Senado desde a instituição da Constituição de 1988. O recorde anterior era de 14, atingido pelo PMDB em 1994 e em 2010 e pelo extinto PFL em 2002.
Em cinco estados (Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina), o partido de Flávio Bolsonaro fez “dobradinhas” ao conseguir levar as duas vagas que estavam em disputa.
O partido está agora bem à frente do PT, que terá a segunda maior bancada, com nove membros, após eleger seis senadores neste domingo, que se juntarão a outros três que já ocupavam cadeiras.
Além dos eleitos pelo PL, candidatos alinhados ao bolsonarismo também foram eleitos neste domingo por outras legendas, como o Novo, PP e o Republicanos. É o caso de Deltan Dallagnol, no Paraná; Marcel van Hattem, no Rio Grande do Sul; e Guilherme Derrite, em São Paulo.
A eleição do Senado era vista como especialmente crucial pelos bolsonaristas, dado o papel do Senado na aprovação de novos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e – especialmente – na potencial remoção de membros da corte. Com a bancada mais numerosa, Flávio Bolsonaro e seus aliados devem tentar eleger um membro do PL como próximo presidente do Senado, algo que pode ter impacto na avaliação de pedidos de impeachment contra membros do STF e na tramitação de indicações presidenciais para o tribunal.
Já o PT, com os seis senadores eleitos neste domingo e mais três que já estão no Senado, vai manter a mesma bancada de nove parlamentares. Ainda assim, o resultado carrega impacto negativo. Apesar de eleger dois nomes na Bahia, o partido e seus aliados saíram sem senadores em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, além de perderem uma vaga que ocupam no Rio Grande do Sul. Até o líder do PT no Senado, Randolfe Rodrigues, perdeu a disputa pela reeleição no Amapá.
Recordes na Câmara Federal e Assembleias
Além de avançar no Senado, o PL de Flávio também elegeu o deputado federal mais votado em 11 estados: Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo. Em comparação, o PT só teve dois, no Rio Grande do Norte e em Mato Grosso do Sul.
Em vários estados, o PL ainda conseguiu ser o partido que vai mandar mais representantes para a Câmara Federal. São 19 eleitos por São Paulo, contra 17 em 2022. Em Santa Catarina, o PL garantiu 7 das 16 cadeiras do Estado da Câmara, elegendo, entre outros, Julia Zanatta e Jair Renan Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PL ainda colecionou vários recordes individuais. O deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL-MG), superou a marca de 3,1 milhões de votos e se tornou o deputado mais votado da história da Câmara. No total, ele recebeu quase seis vezes mais que a segunda colocada em Minas Gerais, Ana Elisa, do PT.
Nikolas já havia sido o deputado mais votado do país na eleição de 2022, com 1,47 milhão de votos. Desta vez, ele superou os recordes anteriores: de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que conquistou 1,84 milhão de votos em 2018; e Enéas Carneiro, que obteve 1,57 milhão de votos em 2002.
Já o youtuber e vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL), de 28 anos, ficou em segundo lugar entre os mais votados para a Câmara em todo o país, ao obter cerca de 3 milhões de votos – quase o dobro da segunda colocada no estado, a atual deputada Erika Hilton (Psol).
O avanço do PL também foi sentido em legislativos estaduais pelo país. Com 21 deputados estaduais eleitos, o PL quase dobrou sua bancada atual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Já em São Paulo, depois de eleger 19 deputados estaduais em 2022, o PL conquistou 27 cadeiras nesta eleição. O PL também elegeu as maiores bancadas estaduais no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rondônia Rio de Janeiro.
Em Santa Catarina, a deputada estadual Ana Campagnolo, bateu pela segunda vez seguida o recorde de maior votação já obtida por um parlamentar estadual, conseguindo mais de 387 mil votos.
